quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O retorno pra casa e a dor sem fim



Achei que voltar pra casa seria melhor, mas foi justamente ao contrário. 

Chegar em casa, sem um filho nos braços, foi extremamente doloroso.

Afinal de contas, mesmo estando apenas de 3 meses, já me imaginava indo ao hospital pra ganhar meu bebe, e a sensação de vazio era imensa.

Chegando em casa, a ficha caiu. 

O desespero tomou conta de mim e do meu marido. Nos abraçamos e choramos muito. Todos os planos que havíamos feito, simplesmente não existiam mais.

A dor é inexplicável, impossível de quantificar.

Depois de todo esse momento de dor na alma, consegui tomar banho e comer.

No hora de dormir, mais uma vez a angustia tomou conta.

Durante a madrugada, acredito que devido à anestesia, acabei suando muito e acordei bastante assustada. Cochilamos mais um pouco, acordei com meu marido de pé ao meu lado, apavorado me pedindo para ir no banheiro, ver se não havia sangramento. 

Acredito que devido a tudo que passamos, no momento que chegamos em casa e conseguimos descansar direito, nosso cérebro acabou por nos pregar essas peças.

Sob orientação médica, precisava ficar afastada do trabalho por 15 dias. Mas já no primeiro dia em casa, me sentia angustiada. Parecia que tudo me fazia sentir um vazio enorme.

Recebi visitas, tivemos o apoio de diversas pessoas, dentre esses meus familiares e amigos próximos, os quais nos deram bastante força para seguirmos em frente.

Mas também recebemos aqueles comentários bestas. Sei que as pessoas não fazem por mal. Mas neste momento não estamos pensando em engravidar de novo, muito menos que vai chegar a minha hora.

Pros pais que perdem um filho, sem nem ao menos ter tido a oportunidade de conhecer esse filho, é bastante doloroso ter que ouvir que nossa hora irá chegar.

Gostaríamos que essa tivesse sido a hora. Gostaríamos que tudo tivesse corrido bem e que nossos planos em relação à esta gestação e esse bebe, tivessem dado certo.

E os dias foram seguindo. Entre altos e baixos. Alegrias e choro. Momento de tristeza profunda. Os porquês sempre muito fortes em nossa mente.

Sei que meu bebe irá voltar, mas gostaria de poder estar com ele em meu ventre nesse momento.

Na terça-feira, dia 04/02/2019, mandei uma mensagem pra uma amiga minha que é espírita, que trabalha no centro espírita. Enviei apenas um oi, pois sabia que ela havia conhecimento do que havia acontecido, pois uma outra amiga havia lhe contado.

Enviei apenas um oi, ao que ela me respondeu: “quando você quer conversar comigo?”

Desde a sexta-feira, após a alta hospitalar, que fiquei pensando em mandar uma mensagem pra ela, mas não sei porque, algo me dizia que não era o momento.

Na terça de tarde, ela veio me visitar, sabendo que ela tinha coisas pra me falar.

E como minha tia, ela também me disse que o bebe iria ter uma síndrome, mas que eu era muito abençoada por ter tido a oportunidade de auxiliar esse espírito, pois ele precisava passar por isso, e que eu aceitei ajuda-lo a evoluir. Que mesmo não tendo programado a gravidez, eu aceite-o desde o início, lhe dando muito amor.

Depois de muito chorar, me senti leve e com o coração transbordando.

Afinal de contas, desde o dia que vi o positivo naquele teste, o amei.

Um amor que jamais imaginei ser possível existir. Tudo que sempre fiz e pensei, a partir daquele dia, foi pelo pequeno ser que estava em meu ventre.

Toda a alimentação, as vitaminas, os cuidados, por menores que fossem... até o simples ato de atravessar a rua, era pensando no meu filho.

No final da nossa conversa, minha amiga me disse: “prepara teu corpo, pois logo teu filho vai vir”.

Essa mesma frase mais uma vez.

Minha amiga sequer sabe da conversa que tive com a minha tia. Não conhece a minha tia, tanto é que residem em estados diferentes, sendo que, não tinha como essa mesma mensagem ser repetida.

Coincidência ou destino, não sei. Mas a recomendação foi a mesma vindo das duas. Me fazendo acreditar, que os espíritos lhes disseram o que eu precisava ouvir.

Curetagem



Na quinta-feira, dia 31 de janeiro de 2019, aproximadamente umas 10h30min, estava eu no banheiro, fazendo xixi, quando minha médica entra e diz: “já esperamos o que dava, não tem porque esperar mais, vamos pra curetagem? Vou tentar puxar com a pinça e se não sair, já fizemos a cureta, vou verificar se o bloco estiver liberado, e fizemos isso já!”, e saiu do quarto.

Nisso ela já voltou dizendo que os enfermeiros iriam vir me buscar e me colocar no soro, e que estava indo pro bloco cirúrgico.

Meu pedido através das orações foram atendidos, pois pedi que iluminassem minha médica para que fosse feito o certo, e fui atendida, ela chegou com a solução.

Às 11h, estava no bloco cirúrgico, com a anestesista aplicando a anestesia geral, para dar início ao procedimento.

Apaguei, voltando em si, às 11h25min, pois a primeira coisa que vi, foi o relógio, já na sala de recuperação do bloco. Fechei os olhos, e quando os abri, já era 11h50min, conversei com a enfermeira e pedi para que avisasse meus familiares, de que estava acordada, tudo bem e que sairia do bloco para o quarto às 12h25min, conforme ela me informou.

Pontualmente no horário informado retornei pro quarto, quando fui pro banheiro fazer xixi, senti uma dor, uma ardência muito forte, sendo que minha mãe acreditou ser normal, devido ao procedimento cirúrgico.

Aguardei a médica ansiosamente, pois essa me disse antes da curetagem, que acreditava que naquele mesmo dia, se tudo corresse bem, poderia me dar alta. 

Recebi sua visita apenas às 20h, sendo liberada para alta hospital, eis que estava muito ansiosa para retornar a minha casa.

Despedida espiritual



A angustia tomava conta de mim, pois ao mesmo tempo que queria muito que o organismo expelisse, já que sabia que meu bebe não estava mais comigo, não queria o deixar ir embora, somente piorando ainda mais as coisas.

Durante essa tarde, uma amiga minha de infância, vizinha dos meus pais, me ligou. Sua ligação foi muito importante pra mim. Ela sofreu um aborto espontâneo, mais ou menos na metade do ano passado, havia sentido na pele o que eu estava passando.

Ela me disse que quando aconteceu com ela, uma amiga que é espirita lhe disse que era pra ela conversar com o bebe e se despedir, explicar que aceitava e entendia os motivos pelos quais ele não pôde ficar, dar uma nome pro nenê, independentemente do sexo, escolher um nome para batizá-lo, rezar muito e aceitar. Referiu que ela fez isso, e no dia seguinte o organismo dela expeliu o feto naturalmente (ela não fez essa parte da internação, não utilizou da medicação, o médico dela somente orientou-a a ficar em casa, aguardando – ela estava de menos semanas quando ocorreu o aborto).

Estávamos sozinhos no quarto, eu e meu marido, expliquei pra ele da ligação e mesmo ele não acreditando muito nessa parte espiritual, concordou em rezarmos juntos e nos despedirmos do nenê.

Sentados lado a lado no sofá do quarto do hospital, de mãos dadas, começamos a rezar individualmente. Procurei conversar mentalmente com o nenê. Chorei muito, de soluçar, pois no fundo não estava preparada pra sentir essa perda. 

Do nada, me veio um nome em mente. Parece mentira. Mas de todos os nomes que havíamos pensado, esse jamais nos passou pela cabeça. Imediatamente falei o nome pro meu marido, o qual concordou e continuou rezando.

Depois de muito chorar, rezar e conversar mentalmente com o meu bebe, me senti mais leve.

Quando meu marido foi pra casa tomar banho e jantar, me deixando sozinha no hospital, pois este em momento algum saiu do meu lado, desde o dia da internação, acabei por conversar com minha tia que mora em outra cidade, e a qual no mês de setembro acabou passando pela mesma situação que eu. Ela perdeu sua bebe, uma menina, de 4 meses de gravidez.

Minha tia é espirita, sendo que descobriu um dom espiritual conseguindo ver e sentir coisas, as quais nem ela sabe explicar, mas que consegue auxiliar diversas pessoas através desse seu dom.

Então, mandei mensagem pra ela, pedindo que ela me auxiliasse, pois não estava mais aguentando permanecer no hospital, sem nada acontecer.

Esta me orientou a conversar com meu guia espiritual pedindo que me auxiliasse, bem como rezar pedindo que minha médica fosse iluminada para que encontrasse a melhor solução, já que não aguentava mais ficar internada.

Após conversar com minha tia, ainda sozinha no quarto, rezei e pedi proteção e luz, pra mim e pra minha médica.

Nesta mesma noite, minha médica me mandou uma mensagem, dizendo que percebeu que meu marido estava bastante preocupado, e que ela havia pensado e que antes de proceder a curetagem, existia a possibilidade de tentar puxar o saco gestacional com uma pinça, mas que para isso necessitava que eu estivesse com anestesia geral, pois caso não saísse com a pinça, no mesmo ato procederia a curetagem. Me pediu pra conversarmos, eu e meu marido, e que na manhã seguinte passaria no quarto para conversarmos, e me disse que não era pra tomar café da manhã, até ela passar.

Quando fui dormir, ainda com a medicação sendo colocada via vaginal, e medicação na veia, rezei muito, me acordando somente na manhã seguinte.

Minha tia me mandou uma mensagem, relatando que esteve com o meu bebe, que ele estava bem, sendo bem cuidado, que ela não viu o rostinho dele, mas que ele estava feliz balançando as perninhas, vestido com um macacão e uma camisetinha listrada. Pediu pra ele lhe dar a mão para virem se despedir da mamãe, que ele concordou e que vieram até mim, acompanhados do meu guia espiritual. Que nos despedimos e ele informou que irá voltar.

Pedi pra ela me confirmar se era um menino, pois desde que descobri a gravidez, tinha a sensação de que esperava um menino, mesmo não me importando com o sexo, algo me fazia acreditar que era menino, tanto é que o nome que eu o batizei era de menino, ao que ela me confirmou.

Neste momento, ela me disse: “não sei porque, mas preciso te dizer ‘prepara teu corpo, essa é a mensagem que eu tenho pra te dar’”.

Me emocionei muito com isso que ela me disse. E ao mesmo tempo me sentia leve. Como se eu tivesse visto e vivido tudo aquilo que ela me falou.

Procedimento para expelir o feto



A tão esperada 12ª semana, se transformou no marco inicial da minha mais sofrida dor.

Internei às 21h40min, do dia 28 de janeiro de 2019.

Além da imensa dor psicológica que estava sentindo, iniciou-se também a dor física.

Meus pais vieram nos ver ali no hospital, chegaram no exato momento que as enfermeiras iniciavam os procedimentos de praxe. Cateter na veia, se necessitasse de bloco cirúrgico, injeção na bunda, gigantesca. Picada para teste de HIV e doenças sexualmente transmissíveis (mesmo que eu já havia realizado tal exame quando da descoberta da gravidez, precisei repetir, e meu marido também).

Chegou o enfermeiro padrão, pediu para que todos se retirassem do quarto, sim todos, inclusive minha mãe, pois teria que introduzir a medicação.

Realmente, o pesadelo só se iniciava...

Pediu para que eu abrisse as pernas e relaxasse, pois iria introduzir a medicação via vaginal para que fosse iniciado o processo de dilatação. Imagine a situação. Acabei de ter um sangramento, descobri que havia perdido meu bebe e o enfermeiro, desacompanhado, sem mais ninguém ali no quarto, me pedindo pra ficar relaxada.

Entendi nesse momento quando relatam os tais abusos obstétricos. Achei de uma insensibilidade sem tamanho, entendo que este estava realizando seu trabalho, mas achei de uma insensibilidade sem tamanho, pois ao menos poderia ter vindo acompanhado de outra enfermeira para realizar a colocação de tal medicação.

Mas, como tudo sempre pode piorar, precisei ficar uma hora sem me mexer pra evitar que a medicação saísse.

E mal sabia eu que o pior ainda estava por vir.

Meus pais foram pra casa e ficamos apenas eu e meu esposo no quarto do hospital. E as idas ao banheiro iniciaram e com ela os coágulos. Fui orientada que sempre que fosse ao banheiro deveria chamar as enfermeiras para avaliarem, pois poderia ser que o feto saísse ‘espontaneamente’.

No início da madrugada me foi feita dipirona na veia, para as dores, que logo se iniciariam.

Não demorou muito para começar a sentir muita cólica. Uma cólica horrível, que depois vim a saber se tratar das contrações.

Não dormimos nada nessa noite. Iniciaram-se as contrações, primeiramente de 10 em 10 minutos, às quais foram diminuindo, de 8 em 8 minutos, de 5 em 5 minutos, de 3 em 3 minutos.

Entre me contorcer de dor na cama, sentir dilatar (onde sentia dores horríveis nos quadris), idas sem fim ao banheiro, ainda comecei a vomitar.

Primeiramente achei que os vômitos eram devido às fortes dores. Meu marido, querido, se desdobrava me auxiliando a ir no banheiro, e me entregando a bacia para poder vomitar.

Chamamos as enfermeiras, as quais me informaram que era normal tal fato devido as fortes dores e que eu precisava senti-las, pois somente assim o feto seria expelido.

E lá vieram elas e me fizeram mais um dipirona na veia. Foi entrar a medicação na corrente sanguínea e a mesma saiu na mesma proporção através do vomito.

Devido aos vômitos, me fizeram dramin na veia, o que acabou por me deixar grogue e sem forças.

E assim foi a saga, durante toda noite.

Numa das idas ao banheiro, senti que me abriu e desceu, tanto é que respingou sangue por tudo, mas as enfermeiras referiam se tratar apenas de um coágulo, de um tamanho maior.

Quando foi 6h da madrugada, quando trocou o turno dos funcionários do hospital, um novo enfermeiro padrão veio até ao quarto, para introdução de novo medicamento via vaginal (o qual era feito de 5 em 5 horas), ao qual referi que iria morrer, pois não possuía mais forças pra nada.

Me sentia fraca e esgotada.

Esse novo enfermeiro, de um profissionalismo excelente e uma compreensão inigualável, me informou que iria entrar em contato com a médica para nova orientação, me referindo que iria fazer nova medicação para dor, ao passo que lhe disse “se é pra me fazer novamente aquele medicamento amarelo (me referindo a dipirina), não precisa, me nego, pois sinto que aquilo me dá na cabeça”.

Este saiu para entrar em contato com a médica, voltando com nova medicação. Me fez um Buscopan na veia, para dor, e Profenid, também na veia, o qual tinha a sensação de que minha pele estava sendo rasgada, de tão forte o medicamento. No entanto, com tal medicação consegui dormir, pois cessaram as dores.

Minha mãe veio ficar um pouco comigo para que meu marido pudesse ir pra casa comer e comprar água e algumas coisas pra deixar ali no hospital.

Dormi praticamente a manhã inteira, indo apenas algumas vezes no banheiro.

Na metade da manhã a médica veio me visitar, e me informou que na noite anterior, da internação, já havia deixado prescrito Buscopan, e que eu não deveria ter passado por toda a dor, não entendendo porque as enfermeiras não fizeram a medicação, haja vista que eu não estava em parto e não deveria ter sentido toda a dor.

Então de 5 em 5 horas me era introduzido o medicamento para dilatação e de 3 em 3 horas, era intercalado Buscopan e Profenid, sendo que, a partir de então, não senti mais dores.

Eu e meu marido conseguimos dormir durante a tarde daquela terça-feira, já que havíamos passado a noite acordados.

No final da tarde realizei um novo ultrassom, sendo que a médica verificou que o feto havia se deslocado, encontrando-se mais ou menos na metade, acreditando ela, que logo seria expelido.

Durante a noite foi tudo tranquilo, acordando apenas para ir algumas vezes ao banheiro. Os coágulos diminuíram de tamanho e de intensidade.

Na quarta foi tudo tranquilo. Não aguentava mais ficar no hospital. As horas ali pareciam não passar. Não via a hora de poder ir pra minha casa. Quase não tinha mais sangramento, nem sujava mais o absorvente.

Era umas 15h, fui fazer novo ultrassom, sendo informada pela médica de que só havia ainda o saco gestacional e o feto, o qual já havia se deslocado bastante, encontrando-se mais pra baixo, sendo que todo o restante já havia sido expelido.

Questionei sobre a possibilidade de ir pra casa, sendo que esta concordou em me dar alta, sob a condição de que ficaria acompanhada 24h por dia, e que caso algo fosse expelido ia tentar retirar do vaso e imediatamente me deslocaria para o hospital, entrando em contato com ela durante o caminho.

No entanto, meu marido achou por bem continuarmos internados, ele estava bastante inseguro e receoso. E me fez perceber que se eu fosse pra casa e depois tivesse que retornar, teria que colocar novamente o acesso para ir ao bloco cirúrgico, se necessário, o que havia sido bastante doloroso.

Senti que a médica também preferia que eu ficasse internada ao invés de ir pra casa, desse modo, achando por bem, ali permanecer.

Das 12 semanas ao nosso pior pesadelo



E as 12 semanas chegaram... no dia 28 de janeiro de 2019. Me sentia plena e realizada.

No dia seguinte tinha ultrassom morfológico agendado, e estava bastante ansiosa pra ver meu bebe, se estava tudo bem, tudo formadinho e quem sabe, descobrir o sexo.

Tudo transcorreu dentro da normalidade. No final do dia, fui pra casa, comi dois ovos cozidos, e depois fui nos meus pais, pois meu marido estava trabalhando e não sabia que horas chegaria em casa.

Às 20h, aproximadamente, fui pra casa, pois tinha que tomar banho e lavar os cabelos, tudo pensando no ultrassom do dia seguinte.

Meu marido chegou, quando eu estava saindo do banho e eu comentei com ele que estava sentindo uma leve 'colicazinha', onde ele me questionou se eu havia conversado com a médica a respeito, mas como eu havia comido feijão no meio dia, associei a isso.

Sai do banho, e fui preparar minha janta, estava com uma vontade de comer massa com atum. Quando terminei, que fui sentar para comer, começou meu pesadelo.

Senti que algo havia me “descido”, coloquei a mão no meio das minhas pernas, quando olhei minha mão mesma estava toda cheia de sangue.

O pavor e o medo tomaram conta de mim.

Gritei pro meu marido e sai correndo pro banheiro. Quando sentei no vaso, senti que algo me desceu, olhei, uma bola de sangue.

Me desesperei. Não conseguia nem ligar pra médica. Quando consegui efetuar a ligação, a mesma me pediu pra ir imediatamente para o hospital que estava se dirigindo pra lá pra me examinar.

Aqueles minutos pareciam séculos.

Imediatamente quando ela chegou já fomos realizar o exame de ultrassom, quando a pior notícia da minha vida nos foi dada...

... o bebe não estava mais ali... seu coração não batia mais... o feto não havia se desenvolvido...

Enquanto a ficha não caia, ainda incrédulos tivemos que ser fortes e tomar decisões necessárias... o que iriamos fazer?

Ouvimos a orientação da médica, a qual nos explicou dos procedimentos cabíveis para o caso: irmos pra casa e ficar aguardando ver se o organismo iria expelir o feto, internar e iniciar o procedimento de introdução de medicação via vaginal para auxiliar na dilatação e automaticamente o feto sair ou curetagem.

Questionamos qual a sua indicação, ao passo que ela nos recomendou realizar a internação e iniciar a introdução da medicação. 

Meu marido a questionou quanto tempo após essa introdução de medicamentos seria o normal, ao que ela disse que 48h era o prazo médico para que a medicação fizesse efeito e o organismo expelisse, após isso, dava-se uma trégua de um dia e reiniciava a introdução da medicação ou se passava a curetagem, a última recomendada, pois muito invasiva.

E assim o sonho se transformou num pesadelo, dos piores que um dia sequer imaginei.

Ano novo chegando e os planos em torno do bebe aumentando



E o ano de 2019 estava chegando, e com ele a ansiedade pela nova vida que carregava no ventre.

Iniciei 2019 vomitando. Sempre detestei vomitar, afinal, ninguém gosta disso, mas pra mim não era motivo de tristeza, pois minha médica sempre me disse, quanto mais náuseas e enjoos, significa que o bebe estra crescendo forte.

Durante o primeiro almoço de 2019, todos se fartando com torta fria (só lembro disse, pois estava louca de vontade de comer) além de uma mesa repleta de coisas deliciosas, enquanto eu... estava degustando de um belo prato de sopa, o que havia se tornado meu prato favorito nos últimos dias.

Tudo seguiu seu curso normal, entre náuseas, enjoos e fome descontrolada.

No dia 21/01/2019, quando completei 11 semanas, onde a barriguinha já estava mais saliente, os enjoos cessaram, repentinamente.

Como sempre me diziam que quando chegasse próximo as 12 semanas, a grande maioria das mulheres não sentiam mais enjoo, era como se um botão fosse desligado, fiquei tranquila, afinal de contas estava próxima dos 3 meses.

Minha mãe me contou que nas suas gestações ela sentia náusea e enjoo até os 3 meses, então isso foi mais um fator pra mim não me preocupar.

Os planos e sonhos em relação ao bebe já eram enormes. Já tínhamos olhado os quartos e planejado como iriamos montar pra esperarmos a chegada do nosso bebe. Estávamos apenas aguardando saber o sexo do bebe, pra comprar junto com o quarto todo o enxoval.

E as 12 semanas chegaram... no dia 28 de janeiro de 2019. Me sentia plena e realizada.

Vivendo a descoberta da gravidez


Nos primeiros dias fiquei bastante insegura, afinal de contas, não me encontrava tomando os medicamentos prescritos à quem busca uma gravidez.

Combinamos ficar quietos até que efetivamente realizássemos a consulta médica.

No meio dia deste sábado, meus pais vieram almoçar conosco lá em casa, conseguimos nos manter em segredo, mesmo rindo e fazendo piadinhas entre nós mesmos. Meu marido secando a louça falava bem baixinho: "Nona", se referindo a minha mãe e ria, sem que ela ouvisse.

No meio da tarde fomos lá na casa dos meus pais tomar chimarrão, e acabei chamando meu pai de vô (era porque eu ia contar algo a respeito do meu vô e acabei me atrapalhando), o que fez com que o meu marido caísse na risada.

Saímos da casa dos meus pais e fomos pra casa tomar banho. Meu pai me ligou pra ver onde íamos jantar, nos convidando pra sair jantar com eles.

Combinamos que iriamos passar pra pegar eles. Quando minha mãe entrou no carro, me deu uma náusea muito forte, afinal de contas ela sempre adorou perfume, e eu já com o meu olfato bastante aguçado, achei que ia morrer. No entanto, não houve qualquer desconfiança por parte deles, afinal de contas, por causa da enxaqueca, eu sempre senti os cheiros mais fortes, sempre reclamando quando ela passava perfumes.

Durante a janta, conversa vai, conversa vem, tudo girava sob o assunto gravidez. Falamos a respeito da minha prima que também descobriu que estava grávida. A garçonete que estava grávida. E eu não me aguentei... com o consentimento do meu marido, afinal de contas tínhamos vontade de sair contando pra todo mundo, peguei meu celular e mostrei pra eles a foto do teste de farmácia com o positivo.

Me recordo até agora da cara de espanto da minha mãe. Ela me disse: “o que é isso? De quem? É teu?”

Confirmei e falei que ninguém sabia, que queríamos manter segredo até que eu realizasse a consulta médica e o primeiro ultrassom. A cara de susto se manteve, meu pai estava mais tranquilo, referiu que a melhor forma é assim no susto, pois senão pensasse demais e nunca é o momento.

No domingo fomos almoçar nos meus pais. Meu irmão que havia saído com os amigos na noite anterior, ainda não sabia da novidade. Ele estava deitado no sofá, com o celular na mão. Informei meu marido que iria mandar pra ele a foto do teste de gravidez, o qual concordou.

Enviei a foto, ele abriu e me olhou e eu comecei a rir (que nem boba, pois era exatamente assim que me encontrava). E ele riu e disse: “agora sim”.

Na segunda-feira, dia 03/12/2018, realizei novo exame de sangue no laboratório que fica no mesmo prédio do meu escritório (pois os exames ali constam como positivo ou negativo), bem como realizei o exame quantitativo para medir a quantidade de Beta HCG no sangue.

No meio da manhã já estava com o resultado “POSITIVO” em mãos. Consegui uma consulta com minha ginecologista no mesmo dia, na parte da tarde.

Na consulta, com base na data da minha última menstruação a médica fez os cálculos de mais ou menos quanto tempo de gestação, calculando que estava com 4 semanas e dois dias. Me foi receitado os complementos necessários, bem como orientações. Foi solicitado um ultrassom para o dia 20/12/2018, oportunidade que poderíamos ouvir o coração do bebe.

Após às 18h fomos contar a novidade para meus sogros. Meu marido que contou, sendo que minha sogra ficou feliz e referiu que já estava na hora. Meu sogro levou um susto um pouco maior e disse: “mas já?”.

Durante a noite meu marido mandou um whats no grupo da sua família contando a novidade pra sua irmã e cunhado, que ficam muito felizes.

Na terça-feira veio o resultado do exame Beta HCG, no qual constava o nível do hormônio no sangue era de 709. Mandei uma foto pra médica que me disse que estava tudo bem, que meu beta estava alto e pela quantidade estava de mais semanas do que ela imaginava, sendo que poderíamos adiantar o ultrassom para uma semana antes.

Consegui um encaixe pra fazer o ultrassom no dia 13/12/2018.

A ansiedade me dominava. Sentia um medo muito grande. Meu maior receio era de que apenas tivesse o saco gestacional e não o feto.


Neste mesmo dia, de tardinha, meu pai mandou uma mensagem para subirmos lá comer milho verde. Eu com uma fome de leão, não pude recusar.

Minha avó também veio comer milho com nós e minha mãe disse: “Vó a mana tem uma novidade”, como eu não falei nada, ela disse: “ela ta gravida”. Minha vó não acreditou, achou que a minha mãe estava brincando e eu só confirmei com a cabeça.

Na quinta-feira, minha mãe mandou no grupo da sua família, no qual participam meus tios e primos maternos, um whats dizendo: “Temos novidades” e várias mamadeiras. Meu pai rebateu: “Mãe, não era a mana que tinha novidades?”. E assim seguiu a conversa no grupo, todos muito felizes com a novidade.

No entanto, gostaríamos de esperar o exame de ultrassom, antes de sair falando para as pessoas. Mas isso não foi possível, pois minha mãe não se continha. Ela contava pra todo mundo.

Na tão esperada quinta-feira, fomos realizar o ultrassom, mas infelizmente não conseguimos ouvir o coração. Médica garantiu que estava tudo bem e o feto se desenvolvendo, mas como era muito pequeno, não dava pra ouvir o coração.

Marcamos novo ultrassom para o dia 20/12/2018. Neste dia, novamente ansiosos, conseguimos já ver a formação do feto e mesmo fraquinho ouvir seu coração, mas diante do seu tamanho pequeno, não foi possível registrar direito. O coração batia a 105 por min. Segundo a médica tudo estava bem e se desenvolvendo normalmente. Foi confirmado diante das medidas do ultrassom, que neste dia eu estava de 6 semanas e 3 dias.

Os seios neste período já estavam bem inchados e doloridos, na segunda-feira (03/12/2018) já comecei a sentir eles bem doloridos e pesados.

Os enjoos também foram aparecendo, principalmente de manhã. Não conseguindo levantar da cama sem comer nada, precisava comer uma bolacha água e sal, ou patinhos secos e salgados, pra diminuir os enjoos.

Era uma escovada nos dentes e uma náusea.

No sábado dia 23/12/2018, fiquei bastante nauseada, não consegui almoçar direito e tive que dormir. Acordei no meio da tarde louca de fome e precisei comer ovo... sem contar na comilança que veio na sequência.

Os dias foram seguindo, sempre com náuseas pela manhã, ausência de fome. Durante a tarde a fome ia aumentando e de noite uma fome descomunal, se pudesse comia as paredes.

No dia 29/12/2018, meu aniversário e também aniversário do meu marido, sai com o meu irmão para comprar uma calça jeans, achei que ia vomitar dentro da loja. Chegando em casa só deu tempo de chegar na pia do banheiro. Saiu o pouco que eu havia comido. E consegui entupir a pia.

Tudo indo bem, tirando os fortes enjoos, principalmente pela manhã, estava me sentindo realizada. Barriguinha já aparecia. Felicidade e amor eram os sentimentos que preenchiam minha vida.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Descoberta da gravidez



Diante do resultado negativo do primeiro teste de farmácia, tirei da cabeça e imaginava ser apenas um atraso normal. Só que nessa semana meu marido começou dizer que eu estava grávida, mas eu não queria lhe contar do teste, afinal de contas ele disse que não era pra fazer, pois era cedo.

A semana foi passando, a menstruação que não vinha, a ansiedade aumentando, aquela vontade enorme de comer açaí com leite em pó (mas como sempre gostei muito, não associei). Sentia como se minha barriga estivesse mais dura no baixo ventre.

Pesquisas sem fim realizadas na internet a respeito dos sintomas. Parece engraçado, mas eu sentia umas cólicas, bem como se eu fosse menstruar.

Mil coisas passando pela cabeça, as consultas ao Google não ajudavam muito, pois alguns pontos diziam que sim que eu poderia estar grávida, e outros que não.

E assim se seguiu a semana, entre pesquisas e desconfianças, chegou a sexta-feira, 30/11/2018, e com ela a ausência da menstruação se mantinha. Sai do escritório e fui em outra farmácia, com o intuito de comprar um novo teste de farmácia, mas de outra marca, afinal durante as consultas ao Google, descobri que o teste da marca Clearblue era o mais preciso.

De sexta pra sábado sonhei a noite inteira que estava realizando o teste e o mesmo dava negativo.

Acordei cedo no sábado de manhã e fui pro banheiro para realizar o teste. Meu marido me acompanhou ao banheiro. Como se tratava de um teste de caneta, onde eu deveria fazer xixi na própria caneta, no local indicado, questionei ao meu marido se a mesma estava ficando cor de rosa (pois na sexta de noite havia lido todo o manual corretamente para não haver erros ou dúvidas), este me confirmando que estava cor de rosa e me pedindo se isso significa que não estava grávida.

Ri daquela situação. Eu sentada no vaso, fazendo xixi na caneta, ele abaixado na minha frente observando se eu fazia xixi no local correto.

Terminei e olhei a caneta, a qual apareceu um risco ¬, o qual significava “não grávida”. Larguei a caneta em cima da pia do banheiro e voltei pra cama. Fábio ficou escovando os dentes e me disse: “isso aqui ta mudando”.

Levantei num pulo da cama, quando olhei o teste, constava um +, que significava “grávida”.

Imediatamente ele pegou o manual do teste e começou a ler, e os dois meio incrédulos, sem saber o que fazer, e sem acreditar.

Mandei uma foto do teste para minha ginecologista, ao passo que ela me respondeu: “não confio em teste de farmácia, somente de sangue”.

Informei que então iria aguardar até na segunda-feira para realizar o exame de sangue no laboratório. Onde ela me referiu que eu não iria aguentar até na segunda. No entanto, os laboratórios aqui na cidade onde resido não trabalham no sábado de manhã. Como no prédio do escritório, onde também tem o consultório da minha médica, existe um laboratório, esta me orientou a conversar com a vizinha dona do laboratório, para ver se ela não abria uma exceção e realizava o teste. No entanto, esse era o dia do casamento dela. Informei isso a médica, a qual me orientou a procurar o laboratório do hospital, o qual trabalhavam até uma parte da manhã.

Mais do que depressa fomos até o hospital, às 9h40min do dia 01/12/2018. Realizamos a coleta do sangue, a qual nos informou que o exame ficaria pronto às 10h15min, sendo que deveríamos estar ali nesse horário, pois era o mesmo horário que eles paravam de trabalhar.

Pontualmente nesse horário retornamos para pegar o exame que iria mudar nossas vidas.

O qual deu como resultado “reagente”, constando o beta hcg como superior a 25, ou seja, estava grávida.

Mandei a foto pra médica, a qual me mandou os parabéns, pois estava confirmada a gravidez.

Nesse momento vivemos um misto de sentimentos. Mesmo incrédulos, fomos tomados por uma alegria profunda, afinal de contas, o nosso amor gerou frutos.

O retorno pra casa e a dor sem fim

Achei que voltar pra casa seria melhor, mas foi justamente ao contrário.  Chegar em casa, sem um filho nos braços, foi extremamente ...