Achei
que voltar pra casa seria melhor, mas foi justamente ao contrário.
Chegar em
casa, sem um filho nos braços, foi extremamente doloroso.
Afinal
de contas, mesmo estando apenas de 3 meses, já me imaginava indo ao hospital
pra ganhar meu bebe, e a sensação de vazio era imensa.
Chegando
em casa, a ficha caiu.
O desespero tomou conta de mim e do meu marido. Nos
abraçamos e choramos muito. Todos os planos que havíamos feito, simplesmente
não existiam mais.
A
dor é inexplicável, impossível de quantificar.
Depois
de todo esse momento de dor na alma, consegui tomar banho e comer.
No
hora de dormir, mais uma vez a angustia tomou conta.
Durante
a madrugada, acredito que devido à anestesia, acabei suando muito e acordei
bastante assustada. Cochilamos mais um pouco, acordei com meu marido de pé ao meu
lado, apavorado me pedindo para ir no banheiro, ver se não havia sangramento.
Acredito que devido a tudo que passamos, no momento que chegamos em casa e
conseguimos descansar direito, nosso cérebro acabou por nos pregar essas peças.
Sob
orientação médica, precisava ficar afastada do trabalho por 15 dias. Mas já no
primeiro dia em casa, me sentia angustiada. Parecia que tudo me fazia sentir um
vazio enorme.
Recebi
visitas, tivemos o apoio de diversas pessoas, dentre esses meus familiares e
amigos próximos, os quais nos deram bastante força para seguirmos em frente.
Mas
também recebemos aqueles comentários bestas. Sei que as pessoas não fazem por
mal. Mas neste momento não estamos pensando em engravidar de novo, muito menos
que vai chegar a minha hora.
Pros
pais que perdem um filho, sem nem ao menos ter tido a oportunidade de conhecer
esse filho, é bastante doloroso ter que ouvir que nossa hora irá chegar.
Gostaríamos
que essa tivesse sido a hora. Gostaríamos que tudo tivesse corrido bem e que
nossos planos em relação à esta gestação e esse bebe, tivessem dado certo.
E
os dias foram seguindo. Entre altos e baixos. Alegrias e choro. Momento de
tristeza profunda. Os porquês sempre muito fortes em nossa mente.
Sei
que meu bebe irá voltar, mas gostaria de poder estar com ele em meu ventre
nesse momento.
Na
terça-feira, dia 04/02/2019, mandei uma mensagem pra uma amiga minha que é
espírita, que trabalha no centro espírita. Enviei apenas um oi, pois sabia que
ela havia conhecimento do que havia acontecido, pois uma outra amiga havia lhe
contado.
Enviei
apenas um oi, ao que ela me respondeu: “quando você quer conversar comigo?”
Desde a sexta-feira, após a alta hospitalar, que fiquei pensando em mandar uma
mensagem pra ela, mas não sei porque, algo me dizia que não era o momento.
Na
terça de tarde, ela veio me visitar, sabendo que ela tinha coisas pra me falar.
E
como minha tia, ela também me disse que o bebe iria ter uma síndrome, mas que
eu era muito abençoada por ter tido a oportunidade de auxiliar esse espírito,
pois ele precisava passar por isso, e que eu aceitei ajuda-lo a evoluir. Que
mesmo não tendo programado a gravidez, eu aceite-o desde o início, lhe dando
muito amor.
Depois
de muito chorar, me senti leve e com o coração transbordando.
Afinal
de contas, desde o dia que vi o positivo naquele teste, o amei.
Um
amor que jamais imaginei ser possível existir. Tudo que sempre fiz e pensei, a
partir daquele dia, foi pelo pequeno ser que estava em meu ventre.
Toda
a alimentação, as vitaminas, os cuidados, por menores que fossem... até o
simples ato de atravessar a rua, era pensando no meu filho.
No
final da nossa conversa, minha amiga me disse: “prepara teu corpo, pois logo
teu filho vai vir”.
Essa
mesma frase mais uma vez.
Minha
amiga sequer sabe da conversa que tive com a minha tia. Não conhece a minha
tia, tanto é que residem em estados diferentes, sendo que, não tinha como essa
mesma mensagem ser repetida.
Coincidência
ou destino, não sei. Mas a recomendação foi a mesma vindo das duas. Me fazendo
acreditar, que os espíritos lhes disseram o que eu precisava ouvir.
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