quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O retorno pra casa e a dor sem fim



Achei que voltar pra casa seria melhor, mas foi justamente ao contrário. 

Chegar em casa, sem um filho nos braços, foi extremamente doloroso.

Afinal de contas, mesmo estando apenas de 3 meses, já me imaginava indo ao hospital pra ganhar meu bebe, e a sensação de vazio era imensa.

Chegando em casa, a ficha caiu. 

O desespero tomou conta de mim e do meu marido. Nos abraçamos e choramos muito. Todos os planos que havíamos feito, simplesmente não existiam mais.

A dor é inexplicável, impossível de quantificar.

Depois de todo esse momento de dor na alma, consegui tomar banho e comer.

No hora de dormir, mais uma vez a angustia tomou conta.

Durante a madrugada, acredito que devido à anestesia, acabei suando muito e acordei bastante assustada. Cochilamos mais um pouco, acordei com meu marido de pé ao meu lado, apavorado me pedindo para ir no banheiro, ver se não havia sangramento. 

Acredito que devido a tudo que passamos, no momento que chegamos em casa e conseguimos descansar direito, nosso cérebro acabou por nos pregar essas peças.

Sob orientação médica, precisava ficar afastada do trabalho por 15 dias. Mas já no primeiro dia em casa, me sentia angustiada. Parecia que tudo me fazia sentir um vazio enorme.

Recebi visitas, tivemos o apoio de diversas pessoas, dentre esses meus familiares e amigos próximos, os quais nos deram bastante força para seguirmos em frente.

Mas também recebemos aqueles comentários bestas. Sei que as pessoas não fazem por mal. Mas neste momento não estamos pensando em engravidar de novo, muito menos que vai chegar a minha hora.

Pros pais que perdem um filho, sem nem ao menos ter tido a oportunidade de conhecer esse filho, é bastante doloroso ter que ouvir que nossa hora irá chegar.

Gostaríamos que essa tivesse sido a hora. Gostaríamos que tudo tivesse corrido bem e que nossos planos em relação à esta gestação e esse bebe, tivessem dado certo.

E os dias foram seguindo. Entre altos e baixos. Alegrias e choro. Momento de tristeza profunda. Os porquês sempre muito fortes em nossa mente.

Sei que meu bebe irá voltar, mas gostaria de poder estar com ele em meu ventre nesse momento.

Na terça-feira, dia 04/02/2019, mandei uma mensagem pra uma amiga minha que é espírita, que trabalha no centro espírita. Enviei apenas um oi, pois sabia que ela havia conhecimento do que havia acontecido, pois uma outra amiga havia lhe contado.

Enviei apenas um oi, ao que ela me respondeu: “quando você quer conversar comigo?”

Desde a sexta-feira, após a alta hospitalar, que fiquei pensando em mandar uma mensagem pra ela, mas não sei porque, algo me dizia que não era o momento.

Na terça de tarde, ela veio me visitar, sabendo que ela tinha coisas pra me falar.

E como minha tia, ela também me disse que o bebe iria ter uma síndrome, mas que eu era muito abençoada por ter tido a oportunidade de auxiliar esse espírito, pois ele precisava passar por isso, e que eu aceitei ajuda-lo a evoluir. Que mesmo não tendo programado a gravidez, eu aceite-o desde o início, lhe dando muito amor.

Depois de muito chorar, me senti leve e com o coração transbordando.

Afinal de contas, desde o dia que vi o positivo naquele teste, o amei.

Um amor que jamais imaginei ser possível existir. Tudo que sempre fiz e pensei, a partir daquele dia, foi pelo pequeno ser que estava em meu ventre.

Toda a alimentação, as vitaminas, os cuidados, por menores que fossem... até o simples ato de atravessar a rua, era pensando no meu filho.

No final da nossa conversa, minha amiga me disse: “prepara teu corpo, pois logo teu filho vai vir”.

Essa mesma frase mais uma vez.

Minha amiga sequer sabe da conversa que tive com a minha tia. Não conhece a minha tia, tanto é que residem em estados diferentes, sendo que, não tinha como essa mesma mensagem ser repetida.

Coincidência ou destino, não sei. Mas a recomendação foi a mesma vindo das duas. Me fazendo acreditar, que os espíritos lhes disseram o que eu precisava ouvir.

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