A
tão esperada 12ª semana, se transformou no marco inicial da minha mais sofrida
dor.
Internei
às 21h40min, do dia 28 de janeiro de 2019.
Além
da imensa dor psicológica que estava sentindo, iniciou-se também a dor física.
Meus
pais vieram nos ver ali no hospital, chegaram no exato momento que as
enfermeiras iniciavam os procedimentos de praxe. Cateter na veia, se
necessitasse de bloco cirúrgico, injeção na bunda, gigantesca. Picada para
teste de HIV e doenças sexualmente transmissíveis (mesmo que eu já havia
realizado tal exame quando da descoberta da gravidez, precisei repetir, e meu
marido também).
Chegou
o enfermeiro padrão, pediu para que todos se retirassem do quarto, sim todos,
inclusive minha mãe, pois teria que introduzir a medicação.
Realmente,
o pesadelo só se iniciava...
Pediu
para que eu abrisse as pernas e relaxasse, pois iria introduzir a medicação via
vaginal para que fosse iniciado o processo de dilatação. Imagine a situação.
Acabei de ter um sangramento, descobri que havia perdido meu bebe e o
enfermeiro, desacompanhado, sem mais ninguém ali no quarto, me pedindo pra
ficar relaxada.
Entendi
nesse momento quando relatam os tais abusos obstétricos. Achei de uma
insensibilidade sem tamanho, entendo que este estava realizando seu trabalho,
mas achei de uma insensibilidade sem tamanho, pois ao menos poderia ter vindo
acompanhado de outra enfermeira para realizar a colocação de tal medicação.
Mas,
como tudo sempre pode piorar, precisei ficar uma hora sem me mexer pra evitar
que a medicação saísse.
E
mal sabia eu que o pior ainda estava por vir.
Meus
pais foram pra casa e ficamos apenas eu e meu esposo no quarto do hospital. E
as idas ao banheiro iniciaram e com ela os coágulos. Fui orientada que sempre
que fosse ao banheiro deveria chamar as enfermeiras para avaliarem, pois
poderia ser que o feto saísse ‘espontaneamente’.
No
início da madrugada me foi feita dipirona na veia, para as dores, que logo se
iniciariam.
Não
demorou muito para começar a sentir muita cólica. Uma cólica horrível, que
depois vim a saber se tratar das contrações.
Não
dormimos nada nessa noite. Iniciaram-se as contrações, primeiramente de 10 em
10 minutos, às quais foram diminuindo, de 8 em 8 minutos, de 5 em 5 minutos, de
3 em 3 minutos.
Entre
me contorcer de dor na cama, sentir dilatar (onde sentia dores horríveis nos
quadris), idas sem fim ao banheiro, ainda comecei a vomitar.
Primeiramente
achei que os vômitos eram devido às fortes dores. Meu marido, querido, se
desdobrava me auxiliando a ir no banheiro, e me entregando a bacia para poder
vomitar.
Chamamos
as enfermeiras, as quais me informaram que era normal tal fato devido as fortes
dores e que eu precisava senti-las, pois somente assim o feto seria expelido.
E
lá vieram elas e me fizeram mais um dipirona na veia. Foi entrar a medicação na
corrente sanguínea e a mesma saiu na mesma proporção através do vomito.
Devido
aos vômitos, me fizeram dramin na veia, o que acabou por me deixar grogue e sem
forças.
E
assim foi a saga, durante toda noite.
Numa
das idas ao banheiro, senti que me abriu e desceu, tanto é que respingou sangue
por tudo, mas as enfermeiras referiam se tratar apenas de um coágulo, de um
tamanho maior.
Quando
foi 6h da madrugada, quando trocou o turno dos funcionários do hospital, um novo enfermeiro padrão veio até
ao quarto, para introdução de novo medicamento via vaginal (o qual era feito de
5 em 5 horas), ao qual referi que iria morrer, pois não possuía mais forças pra
nada.
Me
sentia fraca e esgotada.
Esse
novo enfermeiro, de um profissionalismo excelente e uma compreensão
inigualável, me informou que iria entrar em contato com a médica para nova orientação, me referindo que iria fazer nova medicação para dor, ao passo que
lhe disse “se é pra me fazer novamente aquele medicamento amarelo (me
referindo a dipirina), não precisa, me nego, pois sinto que aquilo me dá na
cabeça”.
Este
saiu para entrar em contato com a médica, voltando com nova medicação. Me fez
um Buscopan na veia, para dor, e Profenid, também na veia, o qual tinha a
sensação de que minha pele estava sendo rasgada, de tão forte o medicamento. No
entanto, com tal medicação consegui dormir, pois cessaram as dores.
Minha
mãe veio ficar um pouco comigo para que meu marido pudesse ir pra casa comer e
comprar água e algumas coisas pra deixar ali no hospital.
Dormi
praticamente a manhã inteira, indo apenas algumas vezes no banheiro.
Na
metade da manhã a médica veio me visitar, e me informou que na noite anterior,
da internação, já havia deixado prescrito Buscopan, e que eu não deveria ter
passado por toda a dor, não entendendo porque as enfermeiras não fizeram a
medicação, haja vista que eu não estava em parto e não deveria ter sentido toda
a dor.
Então
de 5 em 5 horas me era introduzido o medicamento para dilatação e de 3 em 3
horas, era intercalado Buscopan e Profenid, sendo que, a partir de então, não
senti mais dores.
Eu
e meu marido conseguimos dormir durante a tarde daquela terça-feira, já que
havíamos passado a noite acordados.
No
final da tarde realizei um novo ultrassom, sendo que a médica verificou que o
feto havia se deslocado, encontrando-se mais ou menos na metade, acreditando
ela, que logo seria expelido.
Durante
a noite foi tudo tranquilo, acordando apenas para ir algumas vezes ao banheiro.
Os coágulos diminuíram de tamanho e de intensidade.
Na
quarta foi tudo tranquilo. Não aguentava mais ficar no hospital. As horas ali
pareciam não passar. Não via a hora de poder ir pra minha casa. Quase não tinha
mais sangramento, nem sujava mais o absorvente.
Era
umas 15h, fui fazer novo ultrassom, sendo informada pela médica de que só havia
ainda o saco gestacional e o feto, o qual já havia se deslocado bastante,
encontrando-se mais pra baixo, sendo que todo o restante já havia sido
expelido.
Questionei
sobre a possibilidade de ir pra casa, sendo que esta concordou em me dar alta,
sob a condição de que ficaria acompanhada 24h por dia, e que caso algo fosse
expelido ia tentar retirar do vaso e imediatamente me deslocaria para o
hospital, entrando em contato com ela durante o caminho.
No
entanto, meu marido achou por bem continuarmos internados, ele estava bastante
inseguro e receoso. E me fez perceber que se eu fosse pra casa e depois tivesse
que retornar, teria que colocar novamente o acesso para ir ao bloco cirúrgico,
se necessário, o que havia sido bastante doloroso.
Senti
que a médica também preferia que eu ficasse internada ao invés de ir pra casa,
desse modo, achando por bem, ali permanecer.
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