quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Despedida espiritual



A angustia tomava conta de mim, pois ao mesmo tempo que queria muito que o organismo expelisse, já que sabia que meu bebe não estava mais comigo, não queria o deixar ir embora, somente piorando ainda mais as coisas.

Durante essa tarde, uma amiga minha de infância, vizinha dos meus pais, me ligou. Sua ligação foi muito importante pra mim. Ela sofreu um aborto espontâneo, mais ou menos na metade do ano passado, havia sentido na pele o que eu estava passando.

Ela me disse que quando aconteceu com ela, uma amiga que é espirita lhe disse que era pra ela conversar com o bebe e se despedir, explicar que aceitava e entendia os motivos pelos quais ele não pôde ficar, dar uma nome pro nenê, independentemente do sexo, escolher um nome para batizá-lo, rezar muito e aceitar. Referiu que ela fez isso, e no dia seguinte o organismo dela expeliu o feto naturalmente (ela não fez essa parte da internação, não utilizou da medicação, o médico dela somente orientou-a a ficar em casa, aguardando – ela estava de menos semanas quando ocorreu o aborto).

Estávamos sozinhos no quarto, eu e meu marido, expliquei pra ele da ligação e mesmo ele não acreditando muito nessa parte espiritual, concordou em rezarmos juntos e nos despedirmos do nenê.

Sentados lado a lado no sofá do quarto do hospital, de mãos dadas, começamos a rezar individualmente. Procurei conversar mentalmente com o nenê. Chorei muito, de soluçar, pois no fundo não estava preparada pra sentir essa perda. 

Do nada, me veio um nome em mente. Parece mentira. Mas de todos os nomes que havíamos pensado, esse jamais nos passou pela cabeça. Imediatamente falei o nome pro meu marido, o qual concordou e continuou rezando.

Depois de muito chorar, rezar e conversar mentalmente com o meu bebe, me senti mais leve.

Quando meu marido foi pra casa tomar banho e jantar, me deixando sozinha no hospital, pois este em momento algum saiu do meu lado, desde o dia da internação, acabei por conversar com minha tia que mora em outra cidade, e a qual no mês de setembro acabou passando pela mesma situação que eu. Ela perdeu sua bebe, uma menina, de 4 meses de gravidez.

Minha tia é espirita, sendo que descobriu um dom espiritual conseguindo ver e sentir coisas, as quais nem ela sabe explicar, mas que consegue auxiliar diversas pessoas através desse seu dom.

Então, mandei mensagem pra ela, pedindo que ela me auxiliasse, pois não estava mais aguentando permanecer no hospital, sem nada acontecer.

Esta me orientou a conversar com meu guia espiritual pedindo que me auxiliasse, bem como rezar pedindo que minha médica fosse iluminada para que encontrasse a melhor solução, já que não aguentava mais ficar internada.

Após conversar com minha tia, ainda sozinha no quarto, rezei e pedi proteção e luz, pra mim e pra minha médica.

Nesta mesma noite, minha médica me mandou uma mensagem, dizendo que percebeu que meu marido estava bastante preocupado, e que ela havia pensado e que antes de proceder a curetagem, existia a possibilidade de tentar puxar o saco gestacional com uma pinça, mas que para isso necessitava que eu estivesse com anestesia geral, pois caso não saísse com a pinça, no mesmo ato procederia a curetagem. Me pediu pra conversarmos, eu e meu marido, e que na manhã seguinte passaria no quarto para conversarmos, e me disse que não era pra tomar café da manhã, até ela passar.

Quando fui dormir, ainda com a medicação sendo colocada via vaginal, e medicação na veia, rezei muito, me acordando somente na manhã seguinte.

Minha tia me mandou uma mensagem, relatando que esteve com o meu bebe, que ele estava bem, sendo bem cuidado, que ela não viu o rostinho dele, mas que ele estava feliz balançando as perninhas, vestido com um macacão e uma camisetinha listrada. Pediu pra ele lhe dar a mão para virem se despedir da mamãe, que ele concordou e que vieram até mim, acompanhados do meu guia espiritual. Que nos despedimos e ele informou que irá voltar.

Pedi pra ela me confirmar se era um menino, pois desde que descobri a gravidez, tinha a sensação de que esperava um menino, mesmo não me importando com o sexo, algo me fazia acreditar que era menino, tanto é que o nome que eu o batizei era de menino, ao que ela me confirmou.

Neste momento, ela me disse: “não sei porque, mas preciso te dizer ‘prepara teu corpo, essa é a mensagem que eu tenho pra te dar’”.

Me emocionei muito com isso que ela me disse. E ao mesmo tempo me sentia leve. Como se eu tivesse visto e vivido tudo aquilo que ela me falou.

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