A
angustia tomava conta de mim, pois ao mesmo tempo que queria muito que o
organismo expelisse, já que sabia que meu bebe não estava mais comigo, não
queria o deixar ir embora, somente piorando ainda mais as coisas.
Durante
essa tarde, uma amiga minha de infância, vizinha dos meus pais, me ligou. Sua
ligação foi muito importante pra mim. Ela sofreu um aborto espontâneo, mais ou
menos na metade do ano passado, havia sentido na pele o que eu estava passando.
Ela
me disse que quando aconteceu com ela, uma amiga que é espirita lhe disse
que era pra ela conversar com o bebe e se despedir, explicar que aceitava e
entendia os motivos pelos quais ele não pôde ficar, dar uma nome pro nenê,
independentemente do sexo, escolher um nome para batizá-lo, rezar muito e
aceitar. Referiu que ela fez isso, e no dia seguinte o organismo dela expeliu o
feto naturalmente (ela não fez essa parte da internação, não utilizou da
medicação, o médico dela somente orientou-a a ficar em casa, aguardando – ela
estava de menos semanas quando ocorreu o aborto).
Estávamos
sozinhos no quarto, eu e meu marido, expliquei pra ele da ligação e mesmo ele
não acreditando muito nessa parte espiritual, concordou em rezarmos juntos e
nos despedirmos do nenê.
Sentados
lado a lado no sofá do quarto do hospital, de mãos dadas, começamos a rezar
individualmente. Procurei conversar mentalmente com o nenê. Chorei muito, de
soluçar, pois no fundo não estava preparada pra sentir essa perda.
Do nada, me
veio um nome em mente. Parece
mentira. Mas de todos os nomes que havíamos pensado, esse jamais nos passou
pela cabeça. Imediatamente falei o nome pro meu marido, o qual concordou e
continuou rezando.
Depois
de muito chorar, rezar e conversar mentalmente com o meu bebe, me senti mais
leve.
Quando
meu marido foi pra casa tomar banho e jantar, me deixando sozinha no hospital,
pois este em momento algum saiu do meu lado, desde o dia da internação, acabei
por conversar com minha tia que mora em outra cidade, e a qual no mês de
setembro acabou passando pela mesma situação que eu. Ela perdeu sua bebe, uma
menina, de 4 meses de gravidez.
Minha
tia é espirita, sendo que descobriu um dom espiritual conseguindo ver e sentir
coisas, as quais nem ela sabe explicar, mas que consegue
auxiliar diversas pessoas através desse seu dom.
Então,
mandei mensagem pra ela, pedindo que ela me auxiliasse, pois não estava mais
aguentando permanecer no hospital, sem nada acontecer.
Esta
me orientou a conversar com meu guia espiritual pedindo que me auxiliasse, bem
como rezar pedindo que minha médica fosse iluminada para que encontrasse a
melhor solução, já que não aguentava mais ficar internada.
Após
conversar com minha tia, ainda sozinha no quarto, rezei e pedi proteção e luz,
pra mim e pra minha médica.
Nesta
mesma noite, minha médica me mandou uma mensagem, dizendo que percebeu que meu
marido estava bastante preocupado, e que ela havia pensado e que antes de
proceder a curetagem, existia a possibilidade de tentar puxar o saco
gestacional com uma pinça, mas que para isso necessitava que eu estivesse com anestesia
geral, pois caso não saísse com a pinça, no mesmo ato procederia a curetagem.
Me pediu pra conversarmos, eu e meu marido, e que na manhã seguinte passaria no
quarto para conversarmos, e me disse que não era pra tomar café da manhã, até
ela passar.
Quando
fui dormir, ainda com a medicação sendo colocada via vaginal, e medicação na
veia, rezei muito, me acordando somente na manhã seguinte.
Minha
tia me mandou uma mensagem, relatando que esteve com o meu bebe, que ele estava
bem, sendo bem cuidado, que ela não viu o rostinho dele, mas que ele estava
feliz balançando as perninhas, vestido com um macacão e uma camisetinha
listrada. Pediu pra ele lhe dar a mão para virem se despedir da mamãe, que ele
concordou e que vieram até mim, acompanhados do meu guia espiritual. Que nos
despedimos e ele informou que irá voltar.
Pedi
pra ela me confirmar se era um menino, pois desde que descobri a gravidez,
tinha a sensação de que esperava um menino, mesmo não me importando com o sexo, algo me
fazia acreditar que era menino, tanto é que o nome que eu o batizei era de
menino, ao que ela me confirmou.
Neste
momento, ela me disse: “não sei porque, mas preciso te dizer ‘prepara teu
corpo, essa é a mensagem que eu tenho pra te dar’”.
Me
emocionei muito com isso que ela me disse. E ao mesmo tempo me sentia leve.
Como se eu tivesse visto e vivido tudo aquilo que ela me falou.
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